
— Eu tenho medo. - Ela disse, fitando o chão.
— Por que teria? - Ele perguntou, tentando olhar em seus olhos.
— Tantos motivos… Besteiras minhas, na verdade.
— Deveria me contar.
— Ninguém consegue entender.
— Porque não tenta, ao menos?
— Eu tenho medo de que um dia eu ande sem você para segurar minha mão. Tenho medo que um dia, eu não tenha mais seu abraço para me confortar, seu ombro para que eu me deite… Tenho medo que apareça alguém melhor - coisa que não é tão difícil de acontecer - e que esse alguém possa te fazer mais feliz que eu. Eu não quero te perder. Eu não posso te perder. Entende?
— Você é uma boba, sabia? - Ele disse, levantando o rosto dela e a abraçando. — E é por isso que damos tão certo. (1falsopoeta)

Ele estava indo para teu lugar preferido - a praça -, o único lugar onde consegues pensar. Ele senta sempre no mesmo banco mas, desta vez este banco já estava ocupado.
Ele foi até o banco, e observou quem estava lá. Era uma doce garota. Ela chorava.
— Ei garota, por que choras?
Ela se virou delicadamente e disse no volume de um sussurro:
— Não estou chorando, moço.
— Está sim, o que houve?
Ela estava chorando. E também estava brava, revoltada com a vida. Levantou e gritou:
— Não estou chorando! Caramba! Não pode me deixar em paz? Vai incomodar outra pessoa! Eu nem te conheço!
— Calma, moça. Calma. Quer desabafar?
Ele foi até ela e sentou ao seu lado.
— Não! Obrigada, mas não! Eu não te conheço.
— Quando conversou com seus atuais amigos pela primeira vez, você falou com eles assim? - ele falava calmamente.
Ela se calou. Depois de alguns instantes, disse:
— Desculpa.
— Tudo bem. O que aconteceu?
— Nada. A vida. Eu nasci.
— Não gostaria de ter nascido?
Ela se calou novamente. Respondeu baixinho, quase inaudível:
— Não sei.
— Gostaria sim. Não te conheço, mas sei que você tem amigos e família. Não acertei? E eles te amam. Ei pequena, não sei seu nome, não sei onde você mora, ou quantos anos tem. Mas tenho certeza que eles te amam. E mais, você também tem Deus.
Ela sorriu e disse:
— Obrigada.
E ele se levantou, indo embora do lugar.
— Ei, qual seu nome?
Ele se virou calmamente e disse:
— Pode me chamar de anjo. Seu anjo.
Ela sorriu docemente, esquecendo que algum dia já estivestes triste. Disse em seguida:
— Prazer, meu anjo.